Habilidade, habilidade…

By youarenotpaidtothink

Há algum tempo já falávamos aqui na agência sobre uma tendência bem forte: o status skills. Forte porque é uma tendência totalmente “consumer-generated”. E parece que tudo que é, dá caldo. (Aliás, “participação do consumidor” e “carbono-neutro” disputam à tapa o troféu Jargão Marqueteiro 2008).

Mas voltando à vaca fria:

Status é um forte motivo pelo qual as pessoas consomem, senão o principal. Ou seja, status é adquirido pela posse de bens ou serviços que sejam símbolos junto a um círculo social.

E se as pessoas pudessem adquirir status de outra forma?A valorização da criatividade como diferencial é algo que vemos em praticamente todos os âmbitos hoje. O que indica que as pessoas estão, ao menos, esboçando um movimento de saída do consumo passivo para a valorização da interação e a celebração da criatividade. Não é a toa que a personalidade do ano da revista Times foi você. Como já dizia Fernando Vanucci: “é, você mesmo!”.

Em uma sociedade que valoriza o pensamento criativo e a ação como diferenciais, a posse de bens ou serviços pode estar perdendo terreno. E justamente para o status skills: aquele status que as pessoas adquirem por mostrarem uma habilidade especial, por mostrarem que são muito boas em algo.E isso não é “só coisa de Youtube” não. O Fausto Silva e o “Se vira nos 30” não me deixam mentir. Status skills é mainstream. 

Agora, o interessante disso tudo é um artigo do xxx que o Gustavo enviou por email esses dias: “Is stupid the new cool?”. 

O artigo começa citando Chris Crocker, um jovem americano que ficou famoso por postar um vídeo histérico pedindo que as pessoas “deixassem a Britney Spears em paz” (confira aqui). Mas o argumento principal do artigo é sobre a sociedade americana estar “emburrecendo”. Ok, nenhuma novidade até aqui. Inclusive esse tema já foi esplendidamente abordado no filme Idiocracy, de 2005 (que provavelmente seria traduzido como “Estupidolândia” pelo pessoal da Herbert Richards). Vale a pena assistir a introdução do filme, que além de engraçada, ilustra bem essa realidade:

Susan Jacoby, autora do livro “The Age of American Unreason”, descreve esse momento como uma postura de anti-intelectualismo dos americanos. Isso tem reflexo direto na cultura, através de formas de entretenimento cada vez mais nonsense. Os próprios reality shows são um grande ícone disso tudo. E o Brasil é forte na importação desse tipo de produto. O Youtube também tem muito destaque nesse cenário, embora muitas vezes como replicador de conteúdo de outros meios. O já mencionado Fernando Vanucci, quando apareceu meio grogue na TV, não teve perdão e foi pro Youtube. A jovem apresentadora Maísa, que batiza o post, é um caso mais recente. Pra começar, ela tem 5 anos e já ganhou um concurso como cantora no programa do Raul Gil. Ou seja, hiper-exposição é a praia dela. Como apresentadora, tudo que ela fez foi ser ela mesmo. E deu no que deu.

O curioso é que parece que cada vez mais esse tipo de conteúdo vai assumindo o destaque. Se o status skills ganha força, e as pessoas procuram ver gente fazendo coisas diferentes de maneiras criativas (por mais absurdas que essas coisas sejam), o stupid parece que também se fortalece, uma vez que não há, definitivamente, nenhum critério sobre o que é criativo, ou o que é conteúdo para entretenimento. A julgar pelo que está acontecendo nos Estados Unidos, em breve veremos algo parecido por aqui.

 Mas isso não deixa de ser uma oportunidade. Que marca hoje está mostrando alguém fazendo algo estúpido? Ou convidando as pessoas para fazer algo criativamente estúpido?

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